Quando só ela existe

A luz azulada era fria pra combinar com o clima, mas nem isso me impediu de ver a beleza dos pés da minha Dona.
Você já reparou como o mundo ao redor pode desaparecer quando a gente está exatamente onde deveria estar?

Ajoelhei aos seus pés e, com toda a delicadeza que cabe em dedos trêmulos, comecei a tirar as botas. Uma de cada vez. Depois, as meias. Não havia pressa.
Só desejo.

Quando finalmente toquei seus pés nus, senti cada textura, cada pedacinho sob minhas mãos. Enquanto eu massageava um pé, ela guardava o outro no meio das minhas pernas.
E eles voltavam quentinhos.

E tudo sumiu.
As músicas, as vozes, os estalos no corpo de quem apanhava.
Nada mais existia, só ela. O cheiro da Dona. O toque da Dona. O mundo, reduzido àquilo que minha pele podia sentir.

De frente pra ela, com as pernas abertas e os pés da Dona nas minhas mãos, eu era só reverência e tesão.
Ela arranhava minha cabeça com as unhas, daquele jeitinho gostoso que só ela sabe.
Eu gemia baixinho, encostava o rosto em seu corpo… e gozei. Silenciosamente. Mais de uma vez.
A Dona sabia. Meu corpo inteiro tremia.

Depois, já de costas pra ela, com a cabeça apoiada em seu colo, os toques continuaram.
Você já teve os pelos do corpo todos arrepiados por um carinho quase etéreo?

Ela passava a ponta dos dedos levemente pelo meu rosto. Cada linha que traçava era como um comando sussurrado à minha pele.
Quando os dedos chegaram até a minha orelha, perdi qualquer resquício de controle.
O tesão que senti era de outro tipo. Quase espiritual.
Meu corpo estremeceu e se entregou por completo.
A Dona sabia exatamente o que estava fazendo. E eu… eu tive um orgasmo tão forte que passei muitos minutos tremendo por dentro da minha pele. Me sentindo posse.

O outono iniciou hoje e eu resolvi voltar a escrever aqui…

Durante seis anos, minhas palavras ficaram suspensas no ar, como um suspiro contido antes do impacto. O prazer da dor não é passageiro—ele se imprime na carne, na mente, na alma. E é por isso que estou de volta. Agora, sob a sombra firme de minha Dona, retorno não apenas como quem escreve, mas como quem pertence.

Esse blog sempre foi um reflexo do que pulsa dentro de mim: a necessidade do impacto, do arranhão que arde, do controle que desafia. Mas agora, cada palavra escrita traz o peso de algo ainda mais profundo. Minha pele, minha resistência, meu desejo foram moldados pelas mãos certas. Pelas mãos Dela.

E se hoje estou de volta, é porque cada toque, cada ordem e cada olhar moldaram em mim uma nova versão daquilo que sempre fui: uma gatinha marcada, guiada e profundamente devota.

Então, se vier comigo nesta leitura, saiba que este retorno não é só meu. É o reflexo da coleira que uso, do nome que carrego e do prazer que encontro em me curvar. A sessão recomeça.

Queimem as velas, preparem os instrumentos—o jogo recomeça.