Sabe aquele miado baixinho que escapa quando o peito aperta? Não é por dor, nem por saudade de alguém específico… é como se minha pele sentisse falta de ser vivida. Eu ando com um ronron preso, com patinhas inquietas, com o cio da alma.
Hoje eu fiquei miando sozinha.
Vi blogs antigos hoje. Li submissas falando de seus Donos com aquela mistura agridoce de devoção e confusão. Eu não vivi aquilo. Cheguei depois, tropeçando num mundo que já estava meio em silêncio. Como quem encontra um quarto abandonado ainda quente. Como se alguém tivesse acabado de sair — mas sem deixar bilhete.
E eu tô aqui.
Com a boca cheia de palavras que não têm a quem dizer.
Tenho a Dona e isso me acalma, mas não deixo de sentir que cheguei atrasada.
Mas tudo bem. Hoje eu mio pra mim mesma. Hoje eu me enrosco no meu próprio pescoço e me faço cafuné. Hoje eu deixo esse miado sair, mesmo que ninguém ouça. Porque ele também é parte da minha entrega.
E você que me lê… se também mia, vem.
A gente pode se reconhecer nos nossos miados. 🖤🐾


