Primeiro post do blog

Destaque

Nunca imaginei que algum dia eu iria sequer cogitar a ideia de ter um blog. Pois bem, nesse domingo quente e chuvoso, saindo descaradamente da minha dieta com um bolo de chocolate, refleti sobre minha vida no BDSM. Pensei sobre o que me motivou a entrar nesse mundo e encarar meus medos, pensei na coragem que é necessário ter para se entregar a um TOP seja em uma D/s ou em uma sessão avulsa e cá estou, escrevendo sobre esse assunto que é tão mal compreendido pela sociedade.

Escrevo pra todas as pessoas, mas principalmente, escrevo paras subs iniciantes que desejam compreender melhor esse turbilhão de sentimentos que a devoção nos traz.

Espero que eu possa contribuir de forma positiva e que meus textos lhes ajudem nessa linda busca pela liberdade de ser o que se quer ser.

Miando sozinha


Sabe aquele miado baixinho que escapa quando o peito aperta? Não é por dor, nem por saudade de alguém específico… é como se minha pele sentisse falta de ser vivida. Eu ando com um ronron preso, com patinhas inquietas, com o cio da alma.

Hoje eu fiquei miando sozinha.

Vi blogs antigos hoje. Li submissas falando de seus Donos com aquela mistura agridoce de devoção e confusão. Eu não vivi aquilo. Cheguei depois, tropeçando num mundo que já estava meio em silêncio. Como quem encontra um quarto abandonado ainda quente. Como se alguém tivesse acabado de sair — mas sem deixar bilhete.

E eu tô aqui.
Com a boca cheia de palavras que não têm a quem dizer.

Tenho a Dona e isso me acalma, mas não deixo de sentir que cheguei atrasada.

Mas tudo bem. Hoje eu mio pra mim mesma. Hoje eu me enrosco no meu próprio pescoço e me faço cafuné. Hoje eu deixo esse miado sair, mesmo que ninguém ouça. Porque ele também é parte da minha entrega.

E você que me lê… se também mia, vem.
A gente pode se reconhecer nos nossos miados. 🖤🐾

Quando só ela existe

A luz azulada era fria pra combinar com o clima, mas nem isso me impediu de ver a beleza dos pés da minha Dona.
Você já reparou como o mundo ao redor pode desaparecer quando a gente está exatamente onde deveria estar?

Ajoelhei aos seus pés e, com toda a delicadeza que cabe em dedos trêmulos, comecei a tirar as botas. Uma de cada vez. Depois, as meias. Não havia pressa.
Só desejo.

Quando finalmente toquei seus pés nus, senti cada textura, cada pedacinho sob minhas mãos. Enquanto eu massageava um pé, ela guardava o outro no meio das minhas pernas.
E eles voltavam quentinhos.

E tudo sumiu.
As músicas, as vozes, os estalos no corpo de quem apanhava.
Nada mais existia, só ela. O cheiro da Dona. O toque da Dona. O mundo, reduzido àquilo que minha pele podia sentir.

De frente pra ela, com as pernas abertas e os pés da Dona nas minhas mãos, eu era só reverência e tesão.
Ela arranhava minha cabeça com as unhas, daquele jeitinho gostoso que só ela sabe.
Eu gemia baixinho, encostava o rosto em seu corpo… e gozei. Silenciosamente. Mais de uma vez.
A Dona sabia. Meu corpo inteiro tremia.

Depois, já de costas pra ela, com a cabeça apoiada em seu colo, os toques continuaram.
Você já teve os pelos do corpo todos arrepiados por um carinho quase etéreo?

Ela passava a ponta dos dedos levemente pelo meu rosto. Cada linha que traçava era como um comando sussurrado à minha pele.
Quando os dedos chegaram até a minha orelha, perdi qualquer resquício de controle.
O tesão que senti era de outro tipo. Quase espiritual.
Meu corpo estremeceu e se entregou por completo.
A Dona sabia exatamente o que estava fazendo. E eu… eu tive um orgasmo tão forte que passei muitos minutos tremendo por dentro da minha pele. Me sentindo posse.

O outono iniciou hoje e eu resolvi voltar a escrever aqui…

Durante seis anos, minhas palavras ficaram suspensas no ar, como um suspiro contido antes do impacto. O prazer da dor não é passageiro—ele se imprime na carne, na mente, na alma. E é por isso que estou de volta. Agora, sob a sombra firme de minha Dona, retorno não apenas como quem escreve, mas como quem pertence.

Esse blog sempre foi um reflexo do que pulsa dentro de mim: a necessidade do impacto, do arranhão que arde, do controle que desafia. Mas agora, cada palavra escrita traz o peso de algo ainda mais profundo. Minha pele, minha resistência, meu desejo foram moldados pelas mãos certas. Pelas mãos Dela.

E se hoje estou de volta, é porque cada toque, cada ordem e cada olhar moldaram em mim uma nova versão daquilo que sempre fui: uma gatinha marcada, guiada e profundamente devota.

Então, se vier comigo nesta leitura, saiba que este retorno não é só meu. É o reflexo da coleira que uso, do nome que carrego e do prazer que encontro em me curvar. A sessão recomeça.

Queimem as velas, preparem os instrumentos—o jogo recomeça.

Switcher… será?

Faz alguns meses que não sou mais posse da Domme, não nego que ainda sonho com ela, mas já me acostumei com sua ausência.

Nesse tempo que passou, eu até tentei conversar com outras dominadoras, mas nenhuma chegou ao pés da minha antiga Domme. Decidi não procurar mais, mas também não me ausentei do meio BDSM.

Conheci uma crossdresser portuguesa há algumas semanas, estamos conversando diariamente e fazendo chamadas de vídeo uma vez por semana. Ela diz que não vê uma submissa quando olha pra mim, eu não levo em consideração pois sei do desejo dela em ser uma posse minha e eu gosto disso. Juro que nunca havia pensado na possibilidade de estar do outro lado do chicote, mas hoje pensei, e me alegrou muito imaginar a putinha portuguesa ajoelhada aos meus pés fazendo tudo que eu mandar…talvez seja só loucura da TPM, talvez não. Sei que amanhã vou ao Dominatrix usando uma roupa nada submissa e sem coleira.

Intensidade

Decidi ter o “sorriso sádico” da Domme sempre comigo, uma lembrança boa que eu vou carregar o resto da vida. Se eu voltarei a ser a submissa dela algum dia eu não sei, mas que ela sempre será minha Domme, ela será, mesmo eu encontrando outra, as marcas que ela deixou em mim serão eternas.

Ela gostou da homenagem e eu gostei mais ainda.

Dominação virtual

Eu era uma daquelas pessoas que enchia a boca pra dizer que dominação virtual não existia, que não era possível ser submissa de uma pessoa que nunca nem encostou em você. Pois bem, mordi a língua.

Quando conheci a Domme, eu ainda tinha aquela certeza que era impossível me dominar, ainda mais virtualmente. Eu não vou saber dizer em qual momento eu fui dominada e nem como a Domme conseguiu fazer isso, mas quando dei por mim eu já era completamente dela, só de receber um simples “oi” no Skype meu coração já acelerava.

Uma D/s virtual requer muitos cuidados, principalmente pelo fato de que é muito fácil enganar e ser enganada através da internet. Se o Dom(me) já chegou pedindo fotos nuas suas ou te chamando de “cadela”, pula fora! Isso não é postura de Dominantes sérios e nitidamente essa pessoa não está se importando nadinha com você e com sua segurança. A Domme nunca pediu fotos nuas minha e ainda zelava pelo meu anonimato quando alguma tarefa envolvia terceiros.

Eu sei que submissas iniciantes tendem a obedecer qualquer ordem, confiando no TOP e querendo agradar. Meeeeninas, escolham com cautela, entreguem a submissão de vocês somente a alguém que mereça muito. Jamais deixe um TOP fazerem vocês se sentirem mal, BDSM é pra ser feliz.

Fim da minha D/s

Não consigo descrever com palavras a sensação de pertencer a alguém, aquela sensação gostosa e intensa de ser a extensão de outra pessoa.

Quando conheci minha Domme, nunca havia pertencido a ninguém, apesar de já ter tido algumas sessões BDSM com dominadores, eles não chegaram nem perto de me dominar. Eu não achei que Ela fosse me dominar. Me enganei. Em poucos dias eu fechava meus olhos e só via os dEla, A sentia me observando em cada passo meu, minha existência dependia da felicidade dela.

Eu sabia que Ela não era monogâmica, o que eu não sabia era que a tarefa de encontrar outra submissa seria minha, mas essa história eu conto outro dia. Quero chegar no ponto que minha “irmã de coleira” se tornou uma parte importante de mim, quando a Domme a elogiava eu também me sentia elogiada, quando ela era punida eu também me sentia punida. A Domme nos guiava e desenvolvia nossa submissão cada dia mais, tínhamos muitos planos. Mas como tudo que é bom dura pouco, a Domme não pode mais continuar no BDSM por questões pessoais, Ela nos preparou pra sua partida há algum tempo atrás, e a cada dia que passa isso se torna mais real. Essa semana, provavelmente, será nossa despedida.

Eu me sinto perdida, sei que ainda teremos contato e que Ela estará aqui pra mim sempre que for necessário, mas não será mais minha Dona e eu não me vejo pertencendo a alguém que não seja Ela. Tenho a possibilidade de ficar com alguém da confiança Dela, sei que essa é a vontade da minha Dona, mas Ela é tão boa pra mim que não está impondo nada, sabe o quanto esse rompimento está sendo difícil pra mim, não estou perdendo “apenas” minha Domme, estou perdendo também a L, submissa que me completa, que eu escolhi e acertei em cheio, minha irmã, meu espelho.

Uma submissa sem uma (um) dominante não é submissa. Que eu possa escolher o caminho correto a seguir. Fácil não é.

Zelofilia, Humilhação e Degradação

Certa vez eu estava no fetlife buscando uma Domme em um grupo de dominação psicológica, e me deparei com um post que me assustou e me deixou muito desconfortável: um dito dominador procurava uma submissa com problemas de auto estima para que ele pudesse tripudiar usando as inseguranças dela, causando danos em todos os âmbitos da vida da submissa, se aproveitando da admiração dela por ele. Seu “fetiche” era a zelofilia.

A zelofilia, na verdade, é uma parafilia e isso jamais pode ser confundido com BDSM. Compreendo que são muitas as bases que norteiam os diferentes tipos de relação (SSC, RACK, SSS…), mas um TOP responsável cuida e protege sua peça, mesmo em práticas como a humilhação e degradação, que eu confesso não ser minimamente fã, porém é o fetiche favorito de muitos praticantes de BDSM, tanto TOP quanto bottom.

A consensualidade nem sempre está presente em todas as práticas (dependendo de quais princípios são seguidos na D/s), mas a segurança física, emocional e psicológica do bottom não pode faltar e cabe ao TOP garantir isso.

Nos textos seguintes falarei sobre as formas de identificar falsos dominadores e sobre dominação virtual, no meu ponto de vista. O texto de hoje foi apenas um desabafo sobre relação abusiva.